JARDIM DE MARIA

Aos 90 anos de idade, o jardineiro vive no tempo das plantas, imerso em seu jardim, onde a vida se renova e floresce a cada instante, onde a impermanência é tão certa quanto a própria vida. 

 

O jardim existe desde a época em que sua mãe morava na antiga casa do terreno, localizada no bairro do Rio Comprido, Rio de Janeiro. Após a morte de sua esposa, há oito anos, o jardineiro passou a dedicar seu tempo ao jardim, batizado agora de Jardim de Maria. Foi também nessa época que começou a escrever trovas, pequenas composições poéticas, inspiradas pela beleza e tranquilidade de seu jardim, e por sua saudosa companheira. 


A construção apaixonada de seu Jardim do Éden é feita por um trabalho diário de cuidado minucioso. Apesar das perdas e adversidades da vida, não se nota nenhum peso de luto, pelo contrário, vemos uma pessoa forte e bem resolvida com as questões da vida. Sua imersão no Éden não é fuga e sim evocação. (evocação: resgate voluntário feito pela memória, recordação). Enquanto o entorno se desmancha com o tempo, o jardineiro se mantém eterno no Jardim de Maria, se renovando com grande vitalidade, como suas plantas, e poetizando a vida em suas trovas.